K6: seis perguntas para não ignorar sofrimento psíquico
Entenda a K6, sua origem, seu uso no rastreio de sofrimento psicológico e seus limites como recurso complementar.
A K6 é uma escala pequena para um problema grande: sofrimento psicológico. Ela pergunta sobre os últimos 30 dias e tenta captar, de forma muito breve, quando a pessoa está atravessando um nível de sofrimento que merece atenção.
Seis perguntas não explicam uma vida. Mas podem impedir que sinais importantes passem despercebidos.
A família Kessler
A K6 faz parte das escalas Kessler de sofrimento psicológico. O estudo de Kessler e colaboradores investigou seu uso para rastrear doença mental grave na população geral. Depois, pesquisas como a de Prochaska e colaboradores discutiram sua validade também para sofrimento mental moderado e necessidade de cuidado.
Essa história coloca a K6 em um campo mais epidemiológico e de triagem do que diagnóstico. Ela foi feita para sinalizar risco, não para nomear todos os processos por trás dele.
O que a K6 capta
Ela pergunta sobre nervosismo, desesperança, inquietação, tristeza profunda, sensação de esforço extremo e inutilidade. É um conjunto curto, mas pesado.
Na clínica, a K6 pode ser útil quando a profissional precisa de um indicador rápido de sofrimento geral, especialmente em triagens, reavaliações, atendimentos breves ou contextos de grande demanda.
Quando seis itens bastam, e quando não bastam
Se a pergunta é “há sofrimento importante que pede investigação?”, a K6 pode ajudar. Se a pergunta é “qual diagnóstico explica esse sofrimento?”, ela não basta.
Um escore elevado pode estar ligado a depressão, ansiedade, trauma, luto, violência, burnout, uso de substâncias, adoecimento físico ou crise social concreta. O instrumento aponta intensidade; a clínica investiga sentido.
Recurso complementar
A K6 não é teste psicológico diagnóstico. Ela deve ser usada como recurso complementar fundamentado, sem entrar na lógica de parecer favorável ou desfavorável do SATEPSI, que se aplica a testes psicológicos.
Esse posicionamento é especialmente importante em triagens rápidas. Quanto mais breve o instrumento, maior a responsabilidade de não exagerar sua conclusão.
Um bom uso na rotina
A K6 pode funcionar como alerta inicial e como acompanhamento de tendência. Se a pontuação sobe, algo precisa ser investigado. Se cai, vale entender o que mudou: sono, rede, tratamento, trabalho, segurança, medicação, vínculo terapêutico.
Registrada no prontuário psicológico, ela ajuda a construir uma linha do tempo do sofrimento.
Um alerta que não se perde
Na Corpora, a K6 pode ser aplicada com correção automática e resultado vinculado ao prontuário. É um jeito simples de não deixar a triagem se perder na rotina.
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